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Na São Paulo Fashion Week deste ano entrevistei para o site da Ana o maquiador Sadi Consati – creio que muitas de vocês devem conhecer o trabalho dele. Ele é um dos maquiadores de O Boticário, mais especificamente da linha Intense. Ele, aliás, tem um blog muito legal com as dicas dele de maquiagem.

Na matéria que publiquei ele ensinou como usar delineador e fazer um traço bem feito. Mas depois da entrevista pra matéria ele deu dicas gerais e muito legais de maquiagem. Foi mais uma conversa sobre o assunto, onde ele comentou o que achava sobre certos pontos.

Foi já alguns meses, mas achei aqui em meus arquivos e não aproveitar essas informações seria desperdício.

Confira abaixo na íntegra as dicas de Sadi, conforme o assunto.

Blush

“Deve-se tomar cuidado com o blush porque quando a gente trabalha com cores intensas nos olhos, no traço ou na sombra, ou mesmo na boca, o blush deve ser leve e natural. É só um ar de saúde, e não um “rosa boneca”. É um rosado que parece mais parecer vir de dentro, de corada mesmo. Tem que haver um “espaço” entre olhos e boca, e este espaço são as bochechas, onde estará o blush.

Há dois jeitos que usar blush, que é diferente um do outro. Um é o blush efeito saúde, que é usado na parte alta da bochecha, usado desde a época do “rouge”. Ali é para ser aplicado o blush em movimentos circulares com um pincel, e em volta deve ser bem esfumado e puxado para fora. Este é o blush clássico.

O outro é o blush de correção ou contorno, que é muito confundido com o blush clássico, utilizado para sombrear o rosto na parte mais funda abaixo da bochecha. O tom desse blush é terracota ou tons de marrom, fosco. Isso não deve ser feito com o colorido. Então a mulher pode afinar o rosto com o blush de contorno, e esfumar com o blush das bochechas.”

Batom vermelho

“O batom vermelho está bombando! A mulher redescobriu o vermelho e perdeu o medo de usá-lo. Ela está se sentindo confortáveis e sexy por usar o vermelho nos lábios. Porém, deve haver um cuidado e saber usá-lo. A mulher deve escolher o tom de vermelho que dê certo para seu tom de pele.

O vermelho mais fechado, que não é muito vivo e nem muito escuro, dá certo para quase todo mundo. Para as loiras ou de pele bem clara, recomendo o vermelho que é levemente puxado para o rosa, que cria uma leveza maior no visual. Ou, ainda, o tom de vermelho cereja fica lindo! Mas é mais contrastante.

Para as morenas o fundo do vermelho deve ser amarelo ou laranja, por serem cores mais quentes, e irá harmonizar com o tom de pele. Para as negras, sugiro o vermelho mais queimado, como o vinho ou uva, que também estão em alta nesta estação.

As claras e morenas também podem usar o vermelho vinho. A dica para todas usarem o batom vermelho vinho é fazer, antes, uma maquiagem de pele perfeita! Se a pele está uniformizada e bonita, não causa estranhamento o tom de vermelho. Assim, o vermelho vinho fica muito bem.”

Erros comuns na maquiagem

“Dou muita aula de auto-maquiagem, atendi mais de 50 mil mulheres, e o que sempre percebo é que elas viajam demais na maquiagem! Elas pegam muito produto de uma vez para colocar no rosto. Mancha a pele com base, depois não consegue consertar, coloca muito blush e também fica manchado, parecendo bonecas, coloca muita sombra e cai pigmento no rosto, etc. Então o segredo é sempre o mesmo: ir com calma!

Vai com calma e acrescente o produto gradativamente. É mais fácil colocar menos do que colocar mais e tirar. Então passe o produto, olhe no espelho e verifique se está na medida certa, senão colocar mais um pouquinho e olhe de novo, e assim por diante; até sentir que deu o tom certo. Assim não tem erro.

Tenho outra dica legal que é sempre se olhar no espelho de longe, não apenas de perto, para evitar um visual muito impactante! Uma coisa é olhar de perto, outra é olhar de longe.”

Concordam?

A Elo7 é um “Mercado Livre” dos artesãos, pois é aonde as pessoas que fazem trabalhos a mão vendem suas peças de modo a se comunicar com o comprador e mostrar os trabalhos como uma loja virtual, ou seja, com várias fotos, descrição e algumas lojas oferecem até a alternativa de encomenda.

Navegando pelo site, conheci as bijouterias da Little Travelling Shop, que apesar de ter o nome em inglês, é feita por uma brasileira talentosa – que ao fim do post fala mais sobre ela e sobre a loja, exclusivamente ao Mulherando. Os produtos até lembraram os que eu conhecia da loja inglesa Eclectic Eccentricity, na qual eu sempre quis comprar – pois entrega ao Brasil -, mas as peças são mais caras. Então eu pensava: “por quê não há peças lindas assim aqui no Brasil?”. E eis que acho a LTS – também apelidada de “lojinha viajante”, tradução carinhosa do nome dado -, na qual tem peças tão lindas quanto e segue o mesmo estilo.

As peças são vintage, delicadas e charmosas. Muitas delas são inspiradas nos contos de fadas e histórias clássicas do cinema. Resolvi comprar e pedi o colar Tin Woodman (o Homem de Lata, de “O Mágico de Oz”) e os brincos Vik – que já estão esgotados.

O pacote veio rápido, por Sedex, e as peças bem embalados em uma caixinha toda delicada, além de um cartão com instruções de cuidados com as peças e alguns cartões da loja.


Os brincos são lindos, como se vê. A parte preta é de metal todo trabalhado, com um strass preto encaixado no pino, e a flor arroxeada ao meio que é bem saliente e dá o charme da peça. O brinco é médio, não chega a ser grande. Custou R$24.

O colar é mais lindo que eu esperava. O boneco também em metal do Homem de Lata é muito bem feito em seus mínimos detalhes. Ambos pingentes são pequenos, mas notáveis. O coração vermelho é cristal swarovski, ou seja, não é fajuto como muitos que vemos por aí. Paguei R$32 – bem pagos.

Não é propaganda, porque eu comprei as peças, mas faço este post porque me encantei com os detalhes de todas as peças existentes na loja. Além disso, gosto de postar o que eu compro para dar a dica para as leitoras.

Entrevista

A vendedora e responsável pela montagem das peças se chama Priscilla, tem 31 anos e reside em Florianópolis (SC). Abaixo ela conta tudo sobre a loja e um pouco mais sobre ela…

Faça uma biografia de você para as curiosas – como eu – te conhecerem um pouco mais.
Sou viajante de corpo e alma e moro “num pedacinho de terra perdido no mar” (Rancho de Amor à Ilha, do poeta Zininho) ou como costumam chamar: Florianópolis. Uma descrição? Puxa, que difícil! As referências de música e literatura no blog da LTS, fazem parte do meu gosto pessoal e dizem muito sobre mim. Meus autores favoritos são a alemã Christa Wolf (de quem consegui um autógrafo em Berlim, que felicidade!) e o português António Lobo Antunes. Minha trilha sonora atual é composta por Gossip (adoro a Beth Ditto), Radiohead, St. Vincent (um luxo!), PJ Harvey (sempre) e a apaixonante Nina Simone. Claro que esta trilha está em constante mudança. Assim como eu. Acho os seres humanos um tanto limitados e outras espécies me encantam. Amo cachorros. Odeio quem maltrata animais e denuncio (!). Por isso o rodapé do blog da LTS possui vários banners de ONGs e entidades de proteção animal. Minha companheira canina Bella, uma vira-lata puríssima (heheheh) acompanha toda a produção da LTS.

Como começou a Little Travelling Shop – ou “lojinha viajante”? Quando ela começou na internet?
O projeto para a Little Travelling começou no ano de 2009 e continua sendo aperfeiçoado. Segue a pequena descrição que se encontra no blog e que resume a essência da ideia para a loja: “Uma lojinha viajante, possível tradução do nome em inglês, como uma forma de aludir ao caráter viajante das lojas virtuais, que não possuem um local físico e por isso, estão em todos os lugares sem sair do lugar. Uma pequena loja que procura entregar objetos feitos à mão, um a um, valorizando o processo artesanal de produção. A constante busca de materiais novos, nos mais diversos lugares, faz com que você encontre na LTS pequenos tesouros vindos dos EUA, Inglaterra, Japão, Canadá, entre outros”.
O objetivo da LTS é oferecer acessórios diferenciados, peças únicas ou edições limitadas, que encantam o olhar, estimulam a imaginação e inspiram criatividade. A primeira lojinha, no Elo7, foi inaugurada em outubro de 2009, começando a funcionar de verdade em fevereiro deste ano. Em seguida a lojinha no Tanlup foi aberta.

As peças são exclusivas da loja? Qual é o processo de criação?
As peças vêm dos mais diversos lugares e o resultado final da montagem é exclusivo da LTS. São confeccionadas a partir de temas escolhidos, como por exemplo, os contos de fada. O plano era fazer uma coleção sobre este tema, mas a resposta foi tão positiva que continuaremos com esta proposta, além de muitas outras novidades que estão por vir.

Qual é a sua inspiração para a escolha e montagem dos produtos da lojinha viajante? Fale sobre a concepção estética
A inspiração vem primeiro de um tema interessante, seguindo para a pesquisa de literaturas e imagens e, então, para a busca de peças. Quando as peças principais (como os pingentes) chegam, começa o delicioso processo de montagem, que eu considero a maravilha do processo artesanal, pois tenho contato direto com cada uma das peças e elas se tornam especiais para mim.

O estoque de cada peça é limitado?
O estoque é limitadíssimo. Primeiro pela proposta de oferecer edições limitadas. Segundo porque a produção é dependente do estoque dos fornecedores das peças. Muitas peças já esgotadas são procuradas por clientes e faço o possível para poder oferecê-las novamente, mas somente sob encomenda. Por isso, quem gostou de alguma peça que esgotou, pode entrar em contato.

Você pretende montar uma loja física?
Loja física não. Adoro o comércio virtual. Aliás, com a LTS, eu aprendi a comprar pela internet também. No início, como todo mundo que se aventura a comprar na internet, eu tinha os meus receios: com o pagamento, a entrega… Mas hoje, conhecendo o lado de quem vende, no caso dos artesãos e de lojas pequenas, sei que a grande maioria quer realmente agradar e conquistar a confiança dos clientes. Eu adoro receber os emails das pessoas que gostam do meu trabalho, de trocar idéias e receber sugestões.

Os links da Little Travelling Shop: Elo7, Tanlup, Twitter, Blog (onde há os links para as redes sociais).