19/10/2010 | Por Colaboração | Variedades | , ,

Vira e mexe alguém de São Paulo me pergunta como é morar no interior. Perguntam como é a cidade, quais as vantagens, desvantagens, amores, alegrias, tardes de domingo e noites de sábado.

Vou responder contando sobre minha última sexta-feira.

Eu já tinha me programado e me convencido de sair com as amigas em um bar com banda, que aliás, nem fica na minha cidade, fica na cidade vizinha. Porque no interior é assim, não dá pra saber onde termina e onde começa a outra cidade, e é tudo tão pertinho, que é como ir logo aí no outro bairro.

Mas sabe quando lá no fundo do coração, não é isso que você quer? Sair pra paquerar, pra ver e ser vista, dançar e cantar com a banda, não era má idéia. Só que não era isso o que eu queria. Eu queria sair de casa sem a obrigação de surpreender ninguém. Não queria ter que me esforçar para parecer interessante, nem a mais bonita, nem a mais engraçada. Eu queria sentar com pessoas que já me amam pelo o que eu sou, e rir com elas pelo o que elas são. Eu queria um lugar onde eu não fosse nem melhor nem pior. Onde eu só pudesse ser.

Porque bar elitista cansa. Quando a continha chega, não vem discriminado: “Cerveja – R$ X. Porção – R$ X. Estar em um bar frequentado por pessoas interessantes – R$ X”. Mas convenhamos que na hora de tirar os merréis do bolso, você sempre se pergunta porque é que a conta ficou tão cara. Imposto sobre status, isso é o que torna a conta cara.

Não é uma crítica aos bares ou aos frequentadores. Eu mesma os frequento sempre que estou disposta a arcar com o imposto de status, que tem as suas vantagens. Mas sexta passada, não era esse dia.

Fui convidada a conhecer uma cachaçaria, que fica escondida no meio de um bairro oposto ao meu, e distante do centro.

Palavras de quem já havia frequentado: “Só tem comida gostosa, o dono está sempre atendendo os clientes, e o lugar está sempre cheio porque não tem dia certo para abrir. O dono abre quando tem vontade”. SENSACIONAL – foi só o que eu consegui pensar. Quando chegamos, o lugar era como eu imaginava: mesas na calçada, algumas roubando um pedacinho da rua. Pequena, simples e sem a pretenção de ser mais do que ela é. Isso me conquista.


Paredes de pinga, de cachaça, da marvada, da água que o passarinho não bebe. Prateleiras, armários, atrás do balcão e na geladeira. Sim, na geladeira. Como a Umburana com mel geladinha, produzida alí mesmo, que provamos.

Definição de provar, segundo o Seu Odir (dono do bar): Encher um copinho de dose sem dó e sem medo de ser feliz. E ainda ofereceu mais um. E ofereceria mais quantos outros sabores nós quiséssemos experimentar. Uma garrafa de Umbuarana com mel nós levamos pra casa.

Mas comprar pinga não foi o suficiente para satisfazer minhas más intenções. Eu tinha que massagear a alma e bloquear uma veia do coração, assim, sem remorço e com vontade.

Quando você pega o cardápio de um lugar como aquele na mão, tem que trabalhar a consciência pra ela ser única coisa que não vai pesar mais tarde. Aliás, provavelmente se você faz o gênero saudável não achou graça em nada do que eu escrevi até aqui. Pena. Porque a verdadeira felicidade gastronômica estava escondida naquelas páginas plastificadas. Desde o conhecido no mundo butequeiro Escondidinho de Carne Seca, ao Bolinho de Bacalhau. Batata Sorriso a Torresmo. Amendoim. Boteco que tem amendoim, já tem metade do caminho andado no meu coração. Escolhemos panceta com mandioca frita e Onion Rings.

Quão broxante é a sensação de que faltava a descrição “porção individual” quando você pede um petisco em um bar qualquer? Quando recebemos as porções, até assustamos. Capricho de mãe e porção de avó. Sem miséria. Sustança pra 5 pessoas chorarem de alegria, e comerem até fazer bico.

As onion rings estavam sequinhas, crocantes e salgadinhas. Tenho que fazer menção a pimenta servida na mesa: dentro dos tradicionais vidros de ketchup, temperada e picante na medida. A mandioca estava do jeito que eu gosto, seca por fora e cremosa por dentro. A panceta, sem pegadinha: cheia de carne. Não mencionei até agora, porque deve ser óbvio: tudo isso acompanhado de cerveja Original.

Na hora de pagar a conta, duas gratas surpresas:
1º – R$ 18,00 cada um.
2º – Doce, doce, doce. A vida é um doce, vida é mel! – Doces caseiros interioranos ou mineiros, tanto faz. Pé de moça, canudão de doce de leite, e meu tão amado doce de abóbora.


E eu devia, mas não vou fazer a maldade de ocultar meu achado.

Aos desprentensiosos amantes da arte de butecar, como eu:

Beba e Babe Cachaçaria Ltda.
Endereço: Rua Japão, 43 – Parque das Nações
Americana/SP
Telefone: +55 (19) 3406-5871

Um abraço e um toicin, um brinde e um beijin.

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  • Eu ia direto com meu pai, no começo do bar ainda, que era so um galpão vazio e o Odir chamava os amigos pra queimar uma carne e tomar umas, agora me deu vontade de ir lá denovo.

  • dilíciaaaa

  • Vanessa P

    Morei 1 ano em Guarulhos, voltando pra Santa Bárbara tive exatamente a mesma sensação, ri em vários trechos do texto me identificando com ele.. rsrs

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  • Priscila

    Perdi uma veia mas valeu a pena!!!!
    O bar é mto agradável, comida boa, preço bom e cerveja gelada =)

  • Natalia

    Ai que delícia! Adoro morar em Americana… E principalmente saber que existem pessoas como eu por aí.. rsrs
    Adorei esse barzinho, com certeza vou visitar.
    Bjosss meninas

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  • Bárbara Demarchi

    Fico muito contente em ler isso, sou filha do Odir, também trabalho na cachaçaria e fico muuito contente em ver que as pessoas realmente gostam do nosso trabalho. Obrigado, e quando for na cachaçaria novamente, por favor, apresente-se.

  • Oi @Bárbara !

    Já sou conhecida do seu pai, falta eu me apresentar pra você! Sempre reservo mesa com ele, ele já sabe quem sou eu. Sou “a menina que também faz site”. Hahahahaha!
    Sou fã do bar de vocês e desde o dia que eu conheci quando escrevi o post já fiz a propaganda pra muita gente. Sempre que possível eu volto com meus amigos.
    Na próxima vez, vou procurar você 😉

    Beijos e obrigada por comentar o post (L)