Resolvi escrever sobre proatividade movida por um conjunto de análises que eu andei fazendo por aí. Não é a toa que fui convidada para escrever sobre divagações, eu analiso muito. Comportamentos, atitudes, citações, frases estranhas, frases empolgadas, carinhos. Não posso dizer que isso é uma qualidade, mas não chega a ser um defeito.
E não, esse não é mais um texto chato que fala como ser um funcionário melhor agradando seu chefe, doando todas as suas brilhantes ideias para os brilhantes louros que ele vai colher mais tarde. Eu estou falando de proatividade numa área bem mais interessante do que a corporativa: Proatividade na paquera.

Eu poderia incorporar a mediadora boazinha e fazer um texto genérico, dizendo que tudo o que eu vou dizer a partir de agora serve tanto para meninos quanto para meninas.
Prefiro falar do que eu realmente entendo: o ponto de vista das mulheres. Mais especificamente, o meu. Que não é um ponto de vista tão fora do comum, sei que muitas vão se identificar (espero que muitos meninos também).
Atitude: homens precisam ter. Não vou entrar no mérito da questão: Quem deve conquistar quem. Estou falando de atitude no geral. Atitude é levar sem consultar pra onde. Atitude é dizer porque você se interessou por ela, sem poupar adjetivos lisonjeiros e/ou safados. Atitude é citar o que ela já te disse um dia pra você. Atitude é beijar sem pedir e deixar pra TALVEZ pedir desculpa mais tarde. Sentar na minha mesa de bar, pode ser a medida certa de atitude que você poderia ter pra me conquistar.
Todo final de semana, milhares de mulheres – sim, milhares. Mulheres são como Gremlins, é só tomar um banhinho, alimentar depois da meia noite que elas se proliferam – saem para exibir seus corpinhos vestidos com as mais novas aquisições da estação. Se quatro amigas cheirosas e produzidas estão numa mesinha de bar a mais de 20 minutos sozinhas, elas estão lá só pra fofocar? Não, querido. Fofocar, a gente fofoca na frente de casa, de chinela hawaiana com a vassoura na mão, catando o cocô que o cachorro do vizinho fez. Fofocar para nós é esporte prazeroso, a gente faz em qualquer lugar. Aquela produção toda, aquele perfume todo, é pra paquerar. E uma mesa de meninas distante enquanto você olha e sonha não configura um ato de paquera, não é mesmo, meliante?
Uns dias atrás, marquei de encontrar umas amigas em um barzinho. Sentamos nós, 3 espécies semi-novas, com todos os itens de série, pintura nova e polida, sem pneus novos (nem velhos, diga-se de passagem), enfim, peças dignas de qualquer coleção rara (modéstia TOTALMENTE a parte). Pouco tempo depois, aparece não um, mas dois senhores aparentemente solteiros. Um já foi abrindo a caixinha de jóias e soltando a pérola para passear: “Nossa, essa mesa parece um jardim! Boa noite, meninas”. Cumprimentou as 3 com um beijinho no rosto. Uma das amigas me perguntou se eu conhecia, eu disse que não. E aí começa a minha análise: Eu realmente não conhecia, mas admirei a atitude. Ele entrou no bar, gostou do que viu na mesa e pensou: o que eu tenho a perder? Eu atribuo esse excesso de coragem do coroa ao fato dele realmente não ter nada a perder. No auge dos seus 60 anos ele já deve ter tomado mais foras do que remédio para reumatismo. Mas, meninos: esse é o espírito. Se o fato de você querer conversar for motivo de repúdio para alguma garota, significa que você realmente não deveria perder seu tempo e repertório de vida com alguém tão idiota.
Mais tarde, o Erasmo Carlos paraguaio até pediu pra sentar na mesa. Quer saber? Eu deixei. Afinal, eu também não tinha nada a perder. Minha intenção não era paquerá-lo, mas também não havia nenhum paquerável aquele dia. Na verdade, eu só tinha a ganhar, conhecendo alguém, o que ele tinha a me dizer, o quanto ele poderia me fazer rir. Ele poderia ser um velho reumático, mas já morou a brasa que tinha quando era um broto cheio de atitude?
Um abraço e um beijão, um pensamento ou uma lição (L)
PS: Ah, se você for o George Clooney, NUNCA deixe de sentar na minha mesa. Eu fico responsável pelo remédio de reumatismo.








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